Sentada na janela, eu observava o movimento lá fora. Guarda-chuvas de todas as cores bailavam para lá e para cá em meio à chuva. Algumas pessoas apressadas falavam ao celular freneticamente, enquanto outras roíam as unhas, estressadas porque não tinham como se proteger do dilúvio; iam chegar molhadas em casa.
Buzinas, muitas buzinas! Um carro passou na frente do outro de súbito. Não colidiram por pouco.
Os meus devaneios sobre a velocidade do tempo e da vida foram interrompidos por uma visão interessante:
Um sinal verde para pedestres. Uma poça de água. Dois pares de mãos docemente enrugadas pelo tempo entrelaçavam-se como cúmplices.
Acompanhei o casal que me chamou a atenção; não deviam passar dos seus 70 anos e se divertiam na chuva, sem precisar de proteção. Molhados, gargalhavam e moviam-se em um ritmo que tomava forma: valsa, eu diria. Entre um selinho e outro, ele a tomava nos braços e a fazia girar.
Sorri junto com eles. O que os diferenciava das outras pessoas era simplesmente a cor que aprenderam a levar nas suas respectivas almas; não precisavam de guarda-chuvas coloridos.
O sinal fechou, e eles tinham atravessado a rua e virado a esquina em um piscar de olhos... assim como a vida faz.
- Desça daí, menina, você vai se machucar.
Meu pai acabava de chegar do trabalho; ele estava ensopado.
Sorri novamente. Acho que eu não preciso mais de guarda-chuvas, afinal.

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